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Razão, emoção e polarização

Um nome de sabonete da década de 50 acompanhou por muitos anos a vida dos consumidores brasileiros: “vale quanto pesa”. O símbolo da balança, estampado na embalagem amarela, garantia a legitimidade do “sabonete das famílias” e reforçava o conceito de verdade, que o consumidor poderia constatar ao ver que não havia um grama de peso a mais ou a menos.

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Deu no Correio Braziliense

Pesquisas Polêmicas (Ou o vexame do Datafolha)
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara…”. “Dispara..”, “afunda…” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

(Original aqui.)

Comentário: em síntese, o Datafolha/Folha de S.Paulo tentam, a todo custo, fazer com que Serra seja eleito. E alguns ainda dizem que não há “manipulação da mídia”.

Consumada a queda

Tucanos agora buscam culpados

Antes mesmo da divulgação do novo Datafolha na noite [da última] sexta-feira, com a disparada de Dilma abrindo 17 pontos de vantagem sobre Serra (47 a 30), os tucanos já tinham começado a temporada de caça aos culpados pelo desastre.

Como já tinha acontecido nas derrotas de 2002 e 2006, a aliança demotucana (PSDB-DEM-PPS-PTB) está se desmilinguindo, cada um colocando a culpa no outro e todos responsabilizando o candidato, que está sendo largado pelo caminho faltando ainda seis semanas para o primeiro turno das eleições de 2010.

O colapso na campanha de Serra ficou evidente esta semana quando resolveu adotar a esquisofrênica estratégia de atacar Dilma e o governo durante o dia e mostrar imagens do presidente Lula ao lado do ex-governador paulista à noite. O tucano conseguiu a proeza de não ser candidato nem da situação nem da oposição, muito ao contrário.

Tamanha lambança não pode ter apenas um culpado. Só pode ser resultado do conjunto da obra — da absoluta falta de unidade na aliança, da falta de um projeto político, da escolha de um vice desconhecido e desastrado, da indigência dos discursos e das propostas do candidato, do cheiro de mofo do programa de televisão.

O que aconteceu? Apenas um mês atrás, o Datafolha de 20-23 de julho ainda anunciava um empate técnico (37 a 36 para Serra), alimentando as esperanças de uma campanha que já vinha fazendo água, como apontavam os outros institutos de pesquisas.

Não aconteceu nada de importante para justificar esta violenta inversão da curva do Datafolha. Como era de se esperar, o diretor do instituto, Mauro Paulino, colocou a culpa no horário eleitoral que entrou no ar esta semana.

“Palco da TV explica disparada de Dilma”, diz a manchete da Folha sobre a nova pesquisa. Se é só isso, me desculpem, mas não dá para entender. Foram ao ar até agora apenas dois programas dos candidatos à presidência da República, na terça e na quinta, justamente quando os pesquisadores do Datafolha já estavam nas ruas entrevistando os eleitores.

Ao esconder sua principal liderança, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e tentar, já no despespero, ligar sua imagem à de Lula, Serra comete o desatino de não só não tirar votos de Dilma como o de perder aqueles dos tucanos mais fiéis.

Na marcha batida para o abismo, o candidato da oposição sofre mais com o fogo amigo do que nos embates com sua principal adversária. Se nem o presidente do PSDB, o pernambucano Sergio Guerra, quis usar a imagem do candidato tucano em sua campanha para deputado federal, que tipo de fidelidade se poderia esperar dos outros? Serra escondeu FHC e os candidatos da aliança demotucana esconderam Serra.

É verdade que o programa de Dilma, comandado por João Santana, dá de 10 a 0 no programa de Serra, sob a responsabilidade de Luiz Gonzalez, tanto na forma como no conteúdo, mas isso é muito pouco para explicar uma diferença tão grande entre uma pesquisa e outra no espaço de apenas quatro semanas.

O que tenho escrito aqui, desde o início da atual campanha eleitoral, não é muito diferente do que leio em colunas e blogs não engajados, que procuram lidar apenas com os fatos, não com os desejos. Depois de alguns atropelos no início, como registrei aqui, a campanha de Dilma se aprumou, botou ordem no comando, no discurso e na agenda, enquanto a de Serra se desmanchava no ar.

Não é preciso ser nenhum gênio da política para constatar que, a esta altura do campeonato, como o próprio Datafolha já admite, a eleição poderá ser decidida no primeiro turno. A tendência natural é Dilma subir e Serra cair cada vez mais até o dia 3 de outubro, por mais que alguns coleguinhas não se conformem com isso e ainda se esforcem para negar o óbvio.

Encontrar os culpados por esta situação adversa parece ser agora a única ocupação dos apoiadores de uma campanha sem rumo, que pode jogar a oposição numa crise sem precedentes. Já se sabia que seria difícil derrotar uma candidatura, qualquer que fosse, apoiada pelo presidente Lula, com seus quase 80% de aprovação popular, mas ninguém poderia prever que a corrida eleitoral se transformasse neste passeio sem muitas emoções.

Há muitas formas de se ganhar ou perder uma eleição. Serra escolheu a pior.

(Original aqui.)

Manipulação midiática das eleições

Diz o site do G1:

Critério político também deve ser considerado, diz Dilma sobre cargos
Em Recife, petista falou sobre preenchimento de cargos públicos.
Tucano José Serra tem apontado ‘loteamento’ em órgãos estatais.

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff,  respondeu, nesta terça-feira (27), às críticas do candidato do PSDB, José Serra, sobre o preenchimento de cargos públicos com critérios políticos. O tucano tem apontado “loteamento” em órgãos estatais.

Em entrevista em Recife, Dilma afirmou que o preenchimento de cargos públicos não pode seguir apenas critérios técnicos.

“Tem que exigir critérios técnicos para o preenchimento de cargos, mas também devem ser considerados critérios políticos. Não é possível achar que terá só técnicos. (…) O critério é a pessoa ter compromisso com o seu povo, estar ideologicamente ligado a ele e ter lado. Eu tenho lado. O meu lado são os 190 milhões de brasileiros.”

Debates

Dilma também reagiu às críticas de que estaria fugindo dos debates. Ela disse que tem patrimônio para mostrar, que é o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quando você não tem proposta, ninguém acredita. Ninguém acredita só em palavras. Eu tenho um patrimônio para mostrar que é o governo Lula. E eu não quero esconder esse patrimônio, porque quebraram o país. Sim, porque eles literalmente quebraram o país e depois foram ao Fundo Monetário Internacional”, afirmou a jornalistas.

Banco Central

A petista negou que formalizará a autonomia do Banco Central caso seja eleita. Segundo ela, porém, a autoridade monetária continuará funcionando com autonomia operacional e status de ministério.

“Não vamos formalizar nada”, afirmou a ex-ministra. “Em time que está ganhando não se mexe.”

Após visitar a refinaria Abreu e Lima, em Suape, onde gravou imagens para o programa eleitoral gratuito de TV, a candidata afirmou estar surpresa com o local.

“Foi uma grata surpresa entrar na refinaria e que está andando.” As obras na refinaria, entretanto, estão atrasadas em quase um ano e a previsão de inauguração é abril de 2012. Os valores gastos na obra estão sendo questionados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Dois comentários:

1) Concordo com a ministra. Existem cargos que devem ser preenchidos por critérios políticos, e é ilusão acreditar que apenas critérios técnicos preencham cargos de confiança. O problema não está no cargo político em si, mas sim no número de tais cargos: nos EUA são mais ou menos 4 mil para um país maior que o Brasil e com mais de 300 milhões de habitantes; no Brasil, apenas no governo federal, são mais de 25 mil cargos, para um país com quase 200 milhões de habitantes.

2) Interessante a forma como a mídia apresenta a notícia. A chamada da matéria é para indignar o leitor, pois ninguém gosta de imaginar que cargos estão sendo “distribuídos” por critérios políticos. Porém, ao se ler o texto, percebe-se que a matéria não é dão “dramática” quando seu título — ainda que as palavras de Dilma sejam populistas e eleitoreiras. E a matéria termina com um assunto completamente diferente da chamada — falando sobre os questionamentos do TCU às obras de uma refinaria, ou seja, questionando algo que foi feito por Dilma enquanto era ministra. Em resumo: manipulação das informações. Mas quem está antenado a isso?

Marina, boa surpresa

(Comentários ao final.)

Editorial da Folha de S. Paulo:

O COORDENADOR da pré-candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência, Alfredo Sirkis, lançou mão de uma fórmula astuciosa para indicar o lugar da senadora no espectro ideológico: ela não se encontraria nem à esquerda, nem à direita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — mas à frente.

A ideia de uma opção eleitoral “pós-Lula”, que resiste à desgastada e por vezes enganosa oposição entre petistas e tucanos, é uma estratégia pertinente.

Ajusta-se, antes de tudo, à marca da candidatura, que prescreve novas relações entre economia e ambiente – algo difícil de ser enquadrado nos surrados rótulos esquerda e direita. A pauta ambiental, aliás, desperta com frequência rejeições das duas alas, embora tenha-se tornado eleitoralmente vantajoso posar de defensor da natureza.

Essa ambiguidade é nítida na súbita “conversão” ao discurso contra o efeito estufa da ministra Dilma Rousseff — a “mãe” do desenvolvimentismo estatal. De maneira análoga, na oposição é comum a transigência com agressões ao ambiente, embora o governador José Serra também tenha anunciado metas de redução de emissões em São Paulo.

Mas se a presença de Marina cobra dos adversários mais atenção com a temática ecológica, sua candidatura, em sentido contrário, vê-se instada a apresentar propostas consistentes em outras áreas. É o que tem feito — e até aqui de modo mais claro do que os rivais. A entrevista com o possível vice da chapa, o empresário Guilherme Leal, que a Folha traz hoje, é prova disso.

Sabe-se que a candidata dará ênfase à educação; que defenderá uma concepção moderna de Estado, mais leve e eficiente; que será favorável à racionalização tributária; que preservará a autonomia do Banco Central; e que manterá o Bolsa Família.

Para quem imaginava uma postulação confinada a clichês verdes, Marina Silva vai-se revelando uma boa surpresa.

(Original aqui.)

Comentários: Ok, Marina é a “boa surpresa”. Sem dúvida, é uma ótima surpresa, e seria melhor ainda se ela pudesse acabar com a polarização Dilma-Serra, ou em outras palavras, Lula-Oposição — não porque eu não goste de um sistema bipolar, mas porque o determinismo eleitoral que se configura nesse momento é sufocante.

Contudo, fica a pergunta: será que esta “boa surpresa” conseguirá influenciar em alguma coisa? O próprio texto já afirma que agora todos que querem se eleger se dizem ambientalmente corretos — e claro que isso, por si só, já é algo bom. Mas que não adianta nada se for usado apenas como marketing eleitoral — ou eleitoreiro…

Eu acho que a grande novidade que a Marina vai trazer será um novo olhar a respeito das eleições. No entanto, o impacto que ela causará, imagino eu, será pequeno, tendo em vista a cultura do povo brasileiro — especialmente a animosidade política, que faz com que a massa de eleitores “vá levando” e, no final, acabe tendo o voto útil de votar na Dilma ou no Serra porque, se votar na Marina, “estarei jogando fora meu voto”. Acho que a candidatura da Marina é limitada não devido a ela mesma, mas devido à limitação da consciência do povo brasileiro — que, em sua maioria, vai votar tendo como objetivo a personificação do poder típica do Brasil, e não apenas após parar pra analisar as propostas dos candidatos. Se a Marina conseguir reverter um pouco a apatia política brasileira, talvez tenha alguma chance; mas se deixar essa oportunidade passar, infelizmente vejo pouquíssimas chances dela até mesmo influenciar no surgimento de um eventual segundo turno.