Promocodes para o livro “O príncipe”, de Maquiavel

Na última leva de artigos referentes a promocodes de livros digitais, e conforme prometido, disponibilizo abaixo três códigos promocionais para o livro “O príncipe”, de Maquiavel, com comentários meus ao final:

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O livro está disponível neste link.

Boa sorte!

Obs.: lembre-se de que esta promoção é apenas para usuários de equipamentos Apple!

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Promocodes para livros digitais

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Visita ao túmulo de Maquiavel em Florença, Itália

Falar de Maquiavel é sempre um desafio, já que o pensador florentino tem inúmeras nuances que fazem dele um dos autores, ao meu ver, mais conhecidos, ainda que seja muito mais citado do que efetivamente lido. Mas um desafio prazeroso, já que tais nuances abrem espaço para a utilização (aqui bem-intencionada) de seu pensamento nas mais diversas áreas da vida humana.

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Fazer o necessário ou fazer o correto?

Imagine-se em uma situação hipotética na qual você esteja a ponto de perder sua vida pela ação de outra pessoa. Imagine-se que você tem a possibilidade de escapar da sua própria morte, mas para isso você precisaria matar aquele que quer te matar. Ou ainda, imagine que algum familiar muito próximo (se possível imagine seu pai/mãe ou seus filhos) e que eles se encontram em situação de vida ou morte, e quem você tem a possibilidade de acabar literal e definitivamente com esta ameaça. Repito a hipótese: nas duas situações, a única forma de salvar sua vida e/ou de seu ente querido é matando o agressor. Não há meio termo: ou você/seus familiares morre, ou o agressor morre. O que você faria?

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A Renascença Florentina

Publiquei anteriormente um texto falando sobre Maquiavel e sua obra “O príncipe”. Algumas pessoas me pediram mais informações para entender o texto, e resolvi postar aqui um pequeno resumo do contexto no qual Maquiavel viveu. Entendendo-se o contexto histórico no qual ele viveu, fica mais fácil entender o por quê de ele ter escrito o que escreveu.

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Análise sucinta de “O príncipe”, de Maquiavel

Muito se fala sobre Maquiavel, o teórico que defendia que “os fins justificam os meios” — frase erroneamente atribuída a ele. Muitos falam sobre o autor e sobre a sua mais conhecida obra, intitulada “O Príncipe”, mas poucos conhecem efetivamente o que o autor falou. Sendo assim, hoje resolvi escrever sobre aquele que é considerado o pai da Ciência Política moderna.

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A nova ordem e a força social

Abaixo uma visão diferente – e por que não dizer “surpreendente” – sobre mudanças no Brasil atual. O que vocês acham? Concordam?

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O pensador que desmistificou o Estado e seus governantes

Shirlene Rodopoulos

Pouca gente tem conhecimento que Niccolò Machiavelli, aquele Italiano que nasceu em Florença em 03 de maio de 1469, é também conhecido como OLD NICK, ou seja, uma velha expressão Elisabetana para velhaco e traiçoeiro. No entanto Maquiavel é um dos mais originais pensadores do Renascimento, uma figura brilhante e com um pensamento verdadeiramente original.

Foi o precursor da ciência política moderna, escreveu sobre o Estado e os Governantes. Em uma linguagem crua e sem nenhuma máscara, desmistificou o Estado e os seus governantes, como realmente são e não como deveriam ser. Com essa forma de expor seu pensamento tratou a política de maneira diferenciada das abordagens feitas pelos seus precursores como Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Dante, que conjecturavam a política como deveria ser ou como gostariam que fosse.

Na Itália de 500 anos atrás, viveu esse jovem que se tornou diplomata aos 29 anos, tendo experimentado ascenções e quedas de governantes e vendo o poder passar de mão em mão, praticamente de duas a três vezes por ano. Foi na vivência e estudo dedicado que aprendeu, relatou e deixou um memorial para a posteridade.

Morto ao 57 anos em 1527, contribuiu muito para o pensamento político sendo que a sua obra “O Príncipe” é certamente o livro mais conhecido de Maquiavel e foi escrito em 1513, apesar de publicado postumamente, somente em 1532. Ao longo de 26 capítulos, ele relata os tipos de principados existentes até então, detalhando suas características. E a partir daí, defende a necessidade do príncipe de basear suas forças em exércitos próprios, fazendo um estudo sobre os governos e a fraquezas do Estado. Alerta o povo sobre os perigos da tirania. Escreveu para os príncipes para chegar ao povo.

Por esta razão de separar o Estado da Igreja, tirando a política dos valores religiosos, em que o Teocentrismo vinha em primeiro lugar, a política propriamente dita seguia em segunda ordem e, por último, o indivíduo, a política de Maquiavel torna-se o valor mais importante, juntamente com a valorização do indivíduo, deixando de lado questões e os valores espirituais.

O que o tornou odiado foi o fato de ter sido o primeiro a propor uma ética para a política, totalmente antagônica à ética religiosa, ou seja, a finalidade da política seria a manutenção do Estado a qualquer custo. Mais de 30 anos depois de sua morte, a Igreja, em 1559, indexou O Príncipe, colocando-o na lista das obras proibidas. E é a partir daí que o seu próprio nome mudou de sentido, surgindo o adjetivo maquiavélico, conhecido até nossos dias e 2 em qualquer lugar do mundo, como aquele que tem um procedimento astucioso, velhaco, traiçoeiro.

Existindo a expressão inglesa Old Nick, que vem a ser, literalmente, uma abreviação de Velho Nicolau, pois desde a época da Rainha Elizabeth, a literatura passou a designar Maquiavel como o próprio Velho Diabo ou Old Nick. Em função desse posicionamento separando o pensamento governante da Igreja que dominava o Estado, causou revolta à Igreja, que se sentiu horrorizada com a sua influência sobre os governantes.

Foi acusado de ser contra a Igreja, de ser ateísta e, inclusive, que os seus métodos de orientação também contribuiram para o Massacre da Noite de São Bartolomeu (um dos maiores massacres da história, pois vitimou cerca de 100 mil protestantes em decorrência das divergências entre a nobreza o clero e a burguesia na França no Sec. XVI).

Atualmente, estudiosos tem buscado analisar O Príncipe associado a outras obras tais como: Os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e também A Arte da Guerra (escrito em 1520 é um dos livros menos lidos de Maquiavel), pois não se pode analisar esta obra isoladamente, fora do contexto na qual foi produzida, para não se perder no que deveria ser a verdadeira essência de Maquiavel. Somente contextualizando a sua obra pode-se chegar a alma de Nicolau e entender que ele apenas vivenciou o seu relato, descrevendo metodicamente as práticas que viu de uma maneira muito audaciosa para a época. Ele tinha o direito de ser comportar assim, pois tinha uma mente privilegiada, daqueles que muito se preparam e preparados tem a sêde de ensinar a partir de uma vivência prática e objetiva de uma vida diplomática, totalmente voltada para a questão do poder: como conquistar, aumentar e, principalmente, as estratégias para manter o poder político. O período de vida em Florença foi marcado pela instabilidade política, pela guerra, pelas intrigas e pelo desenvolvimento cultural, e esse contexto é marcante em sua obra.

Uma observação importante com relação ao livro A ARTE DA GUERRA, é o fato que tanto Maquiavel em 1.520, quanto SUN TZU, mil anos antes, escreveram livros batizados pelo mesmo nome. É o manual militar de 13 preceitos do general chinês Sun Tzu (ou Sunzi), que nasceu em 540 A.C. O seu manual inicia assim: “A guerra é um importante assunto de Estado, território da morte e da vida, caminho da sobrevivência e da extinção, não pode deixar de ser investigada”. Já a ARTE DA GUERRA do gênio Italiano conta as experiências bélicas e o excessos cometidos por soldados e comandantes durante os conflitos. Hoje o obra de Sunzi, virou manual prático para se ter sucesso nos negócios, enquanto a obra de Maquiavel está relegada a segundo plano, pois “O Príncipe” é a sua obra mundialmente conhecida.

Maquiavel na Atualidade

Transportando a conduta de Maquiavel, com seu tipo peculiar de inteligência, para os dias atuais, entenderemos que sua conduta e pensamentos modernistas, tiveram início com a destituição do cargo político diplomático que exercia, pois após esse episódio ele foi exilado, proibido de adentrar em órgãos públicos, interrogado várias vezes, foi preso e torturado, nada se provando contra ele, foi libertado. Foi a partir dessa experiência, que começou a refletir sobre a tirania e como resistir a ela. Dessa análise de sua vida e obra, chegamos às seguintes conclusões que são verdadeiras lições:

a) A Maquiavel que podemos tributar a paternidade da teoria política moderna, se considerar o princípio que estabeleceu a separação da política e da moral, pois independente do julgamento que fizermos dos acertos e desacertos dos seus conselhos, ele estabeleceu que a política pode e deve ser pautada em uma base científica e deve obedecer leis próprias, levando em consideração somente sua eficiência no seu objetivo maior, ou seja, a conquista do poder e a sua manutenção;

b) Maquiavel, em seu tratado O Príncipe, não leva em consideração qual o ideal dos regimes políticos, e sim as regras práticas do seu funcionamento. A sua grande contribuição para a atualidade foi extirpar, separar, emancipar a política da religião e da moral. E foi justamente com esse jeito moderno de pensar que causou a condenação posterior de sua história, pois a sua decantada falta de escrúpulos está longe de ser o resultado do seu “amoralismo” político, mas é o produto necessário da falta de um programa político coerente e, acima de tudo, de uma base social estável, para colocar em prática o programa histórico que propõe;

c) Foi Maquiavel quem empregou pela primeira vez o termo ESTADO no pensamento político;

d) Foi ele quem introduziu a reflexão sobre a liberdade e a relação do governo com a liberdade do povo. Propunha uma república com ampla participação dos cidadãos no governo;

e) Acreditando no poder da democracia, considerava a principal arma da democracia o seu povo.

Por fim, concluímos que um verdadeiro estadista, deverá sempre se pautar nos ensinamentos de Maquiavel, seja para tirar ensinamentos benéficos ou maléficos, pois é sabido que todas as coisas que acontecem na política, em qualquer das esferas e em qualquer dos mundos, tem relação direta com os ensinamentos desse renascentista, que melhor que ninguém traduziu a essência desse mundo. Não é absurdo dizer que os ensinamentos de Maquiavel, podem se traduzir em uma espécie de Código de Conduta de manutenção do poder para os políticos, seus ensinamentos são estudados em profundidade no meio acadêmico e por muito políticos. A sua análise nua e crua do mundo como é, enxergando a política como arte, foi que o deixou tão moderno, pois analisa de modo claro, objetivo e sarcástico, as evidências comportamentais dos políticos que buscam o poder.

(Recebido por email.)

Atentados em Moscou — com comentários

(Original aqui.)

Obs.: comentários ao longo do texto, e também ao final.

Atentados de Moscou provocam reações no mundo

Após ataques em Moscou, Nova York e Washington reforçam segurança em metrôs. Polícia russa desativa uma terceira bomba não detonada. Líderes mundiais lamentam atentados. Putin promete “eliminar” responsáveis.

As autoras dos atentados desta segunda-feira (29/03) nas estações de metrô moscovitas agiram em lugares de forte peso simbólico. Uma das bombas explodiu pouco antes das 8h na estação Lubyanka, diretamente sob a sede do Serviço Federal de Segurança (FSB), agência de informação sucessora da KGB, durante a hora do rush, a poucos passos do Kremlin. E 45 minutos depois aconteceu uma segunda detonação na estação Park Kultury, perto do famoso Parque Gorky.

[Comentário: vale destacar que o local é realmente extremamente simbólico. A estação Lubyanka fica exatamente no centro da praça com o mesmo nome, no qual se localiza o prédio do FSB. Não sei se a estação ficou destruída — espero que não, pois esta é uma das estações mais simbólicas para mim. Já a estação Park Kultury é importante porque se localiza próximo ao rio Moscou e possui diversos pontos turísticos e oficiais por perto.]

Ao todo, quase 40 pessoas morreram no ataque duplo, que tanto o governo quanto populares revoltados atribuem a militantes separatistas do norte do Cáucaso. Mais de 70 ficaram feridas.

[Comentário: aqui surge um problema típico da Rússia atual: atribuir tudo aos “separatistas do norte do Cáucaso”. É claro que muitos dos atentados são realmente realizados pelos chechenos, mas há na Rússia atual xenofobia extrema em relação a todos aqueles que não são “brancos do olho azul”. É uma pena que um país tão belo se deixe levar por sentimento tão desprezível.]

Polícia procura duas suspeitas

Duas mulheres teriam, segundo informações da promotoria pública, detonado explosivos em seus próprios corpos nos vagões do metrô, pouco depois da abertura das portas dos trens. Gravações de câmeras de segurança mostrariam as suspeitas, acompanhadas de duas outras mulheres, que estão sendo procuradas pelos serviços de segurança.

[Comentário: mais um problema da Rússia atual: o controle de informações. É claro que parte-se do princípio que o estado é uma instituição confiável, e o “cidadão comum” legitima as ações do estado com base nas informações que o próprio estado lhe dá. Mas quando se fala de Rússia, a situação é mais complicada devido ao intenso controle midiático que é realizado pelo governo daquele país — basta lembrar os casos relativamente recentes de jornalistas “independentes” que foram assassinados nas ruas de Moscou.]

Nenhuma organização assumiu de imediato a autoria dos atentados. O FSB atribui os ataques a grupos militantes do norte do Cáucaso.

As forças de segurança descobriram no decorrer do dia mais cargas explosivas não detonadas em uma das estações afetadas. Na estação Park Kultury, foi encontrado e desativado um cinto de explosivos não detonados, segundo a agência estatal de notícias Ria Novosti, que cita informações de investigadores. Na estação, foi também encontrada a cabeça e outras partes do corpo de uma das suicidas, com a idade entre 18 e 20 anos.

[Comentário: mais uma vez surge a dúvida: será que realmente houve mais uma carga de explosivos ou isso foi “armação” para colocar a culpa nos chechenos? Infelizmente, não há como ter muita certeza quando se fala de “informações oficiais” na Rússia — é quase uma questão de fé crer (ou não) nas informações passadas pelo governo.]

Nova York e Washington aumentam policiamento

Como reação às explosões no metrô de Moscou, a segurança nos transportes coletivos de algumas das principais cidades dos Estados Unidos foram reforçadas. A polícia de Nova York anunciou nesta segunda-feira ter reforçado o policiamento nos metrôs da cidade, embora não tenha havido ameaças específicas, como ressaltou o porta-voz da polícia local.

As medidas são, segundo ele, meramente preventivas, em razão dos ataques de Moscou. O metrô de Washington, o mais utilizado do país, depois do metropolitano de Nova York, também reforçou sua segurança.

O presidente russo, Dimitri Medvedev, afirmou durante uma reunião de emergência que a Rússia realizará uma guerra contra o terrorismo “sem vacilações e até o fim”. Ele ordenou o fortalecimento das medidas de segurança nos transportes públicos. O trânsito das linhas atingidas foi paralisado. O primeiro-ministro, Vladimir Putin, afirmou que os mandantes dos atentados serão “presos e eliminados”.

[Comentário: não há outra coisa a se esperar dos líderes russos a não ser o recrudescimento do uso da força contra os caucasianos, especialmente chechenos. É o eterno jogo de “gato e rato” — que, ao contrário do que a maioria das pessoas acha, não começou com o fim da União Soviética. A região do Cáucaso traz problemas para a Rússia desde o século XVIII, quando tal região foi primeiramente conquistada pelo Império Russo. Ou seja, a solução para o conflito, infelizmente, ainda está longe de acabar.]

Merkel transmitiu “profundo pesar” a russos

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, transmitiu ao presidente russo, Dimitri Medvedev, seu “profundo pesar pelos ataques” e expressou esperança de que os crimes possam ser rapidamente esclarecidos. “É chocante que tais ataques sejam possíveis no centro de Moscou”, disse a chefe de governo durante sua viagem à Turquia. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, taxou os ataques de “abomináveis”.

O presidente norte-americano, Barack Obama, classificou os atentados como “atos terroristas violentos e abomináveis, que faltam com todo o respeito pela vida humana”. Ele afirmou que seu país é solidário com o povo russo “no repúdio a tais atos de violência”.

O metrô de Moscou é um dos mais movimentados do mundo, transportando, em média, cerca de sete milhões de pessoas nos dias úteis. Ele é um meio de transporte vital em uma cidade cronicamente afetada por engarrafamentos. Depois dos ataques, o tráfego da cidade ficou praticamente paralisado.

“Ouvi um estrondo, olhei ao redor, e tudo estava cheio de fumaça. As pessoas corriam gritando em direção à saída”, relatou Alexander Valukov, de 24 anos, que estava em um trem estacionado na direção oposta ao do veículo afetado.

Moscou teve em 2004 seu último ataque terrorista

O último caso confirmado de ataque terrorista em Moscou ocorreu em agosto de 2004, quando uma terrorista suicida se detonou em frente a uma estação de metrô, matando dez pessoas. Separatistas tchetchenos assumiram a autoria do atentado.

A polícia russa matou nos últimos tempos diversos líderes de militantes islâmicos no norte do Cáucaso. Na semana passada, as forças russas mataram durante um tiroteio o líder rebelde Anson Astemirov. As ações da polícia fazem surgir temores por represálias dos militantes.

Em fevereiro passado, o líder rebelde tchetcheno Doku Umarov ameaçou os russos, dizendo que “a zona de operações militares será ampliada ao território russo” e que “a guerra chegará às suas cidades”. Umarov também assumiu a autoria pelo atentado a bomba contra o trem Nevsky Express, entre Moscou e São Petersburgo, ocorrido em novembro, matando 26 pessoas.

Comentários finais: Infelizmente, a situação ainda é complicada na Rússia, pelo menos no que diz respeito à adequação das diferentes nacionalidades em seu território. A Rússia é um país multinacional, o que significa dizer que há vários grupos étnicos dentro do território do estado russo. Pior que isso é o fato de que algumas dessas nacionalidades — especialmente aquelas que se situam no norte do Cáucaso — não se dão muito bem entre si e não se dão muito bem com os russos. Há ainda a questão da religião — os russos étnicos são ortodoxos, enquanto que no sul do país a maioria é esmagadoramente muçulmana.

Nesse sentido, tenho dúvidas se uma abordagem fundamentada exclusivamente na violência resolverá o problema — acredito que não. Violência gera violência, e é inegável que esse ciclo perdurará enquanto o governo russo não tomar outro tipo de iniciativa para solucionar a questão. Talvez os líderes russos devessem ler um pouco mais Maquiavel, especialmente a parte da cooptação, para perceber que não adianta continuar dando “murro em ponta de faca” — pois os muçulmanos não aceitarão “simplesmente” a cultura russa, e vice-versa. Cabe à liderança russa perceber que os tempos de Ivan, o Terrível, já passaram — ainda que os métodos de Ivan estejam tão impregnados na mentalidade russa que sejam vistos como “fundamentais” pela grande maioria do povo russo.

A política como ela é

Maquiavel é considerado o primeiro cientista político moderno porque ele foi o primeiro autor a criar uma separação que nós, cientistas políticos, consideramos fundamental em nossas análises nos dias de hoje: a separação entre o que é e o que deveria ser. Longe de mim aqui afirmar que devemos nos contentar apenas com o que é: acredito que devamos sempre buscar o que deveria ser, mas com os pés no chão, nos embasando no que já existe para não dar um passo maior do que as pernas. Mas isto é história para outra postagem; meu objetivo hoje é outro.

Abaixo o título de uma notícia no G1. Quem quiser lê-la, é só clicar no link.

Após elogio de tucano, Lula diz que obras do governo não têm intenção eleitoral. Com Dilma no palanque, Lula voltou a dizer que elegerá sucessora. Em Alagoas, presidente citou que Renan e Collor têm ajudado governo.”

Resumidamente, a notícia traz os seguintes pontos:

  1. Lula está em Alagoas inaugurando obras do PAC. A tiracolo estão Dilma Rousseff (PT, chefe da Casa Civil), Geddel Vieira Lima (PMDB-BA, Ministro da Integração Nacional) e Fernando Collor de Melo (PTB-AL, senador).
  2. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), elogiou Lula várias vezes.
  3. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi citado pelos presentes várias vezes.
  4. Lula elogiou Collor e Calheiros pelo apoio dos dois ao governo.
  5. Lula criticou os ex-presidentes porque eles tinham apenas intenções políticas em suas ações governamentais, e afirmou que em seu governo o fato do governador ser da oposição não o torna inimigo.
  6. Lula afirmou que elegerá sua sucessora.

Da lista acima vem o título desta postagem.

Senão, vejamos:

  1. O PT e o PSDB, como todos sabem, são os grandes opositores na eleição do ano que vem. No entanto, o governador do PSDB elogia o presidente do PT. Não quero dizer que eles precisam ser inimigos, é claro que não. Mas uma coisa é tratar seu opositor com respeito, outra é puxar o saco descaradamente. Uma mão lava a outra: o PT precisa do Nordeste para eleger a “companheira”, e o governador precisa das verbas federais para fazer o serviço interno (e quem sabe ser reeleito, ou eleger quem queira).
  2. Lula afirma na reportagem que “não pode falar de eleição”. Então por que Dilma subiu ao palanque? Então por que Lula afirma que elegerá sua sucessora? “Não citei nomes”, dirá o presidente, mas até a porta aqui de casa sabe que Dilma é a candidata de Lula (notem a diferença: candidata de Lula, não do PT).
  3. Lula criticou seus antecessores, que faziam “política” e não “ações governamentais”. Quando Lula sobe em um palanque e diz que vai eleger sua sucessora, ele está fazendo o que mesmo?
  4. Será necessário relembrar a disputa entre Lula e Collor em 1989, e tudo o que um falou do outro?
  5. Será necessário relembrar o apoio de Renan Calheiros a Collor (opositor de Lula), depois a Fernando Henrique (opositor de Lula), antes de pular para dentro do governo Lula?

Das poucas frases acima depreende-se a distinção elaborada por Maquiavel: se vivêssemos no mundo do dever ser, com certeza nada disso aconteceria. Mas como vivemos no mundo do que realmente é, temos de engolir essa conversa pra boi dormir. E a situação fica pior ainda quando percebemos que, na verdade, não há um projeto político, de longo prazo, mas sim um projeto de poder — tanto de um lado quanto de outro –, que faz com que aquele que representaria as aspirações populares, para se manter no poder, tenha de se submeter àquela parcela da política brasileira que representa os elementos mais retrógrados do Brasil: o clientelismo, o populismo, o patrimonialismo, em suma, a privatização do público em benefício privado.

A situação fica ainda mais complicada quando percebemos que a independência dos poderes, garantida pela Constituição, não existe na prática, especialmente no que diz respeito às relações entre Executivo e Legislativo. Não há mais a separação de poderes de Montesquieu. De uma república, o Brasil atual passou a ser uma espécie de autoritarismo maquiado, posto que o Executivo tenta, a todo custo, controlar o Legislativo. É por isso que Collor e Renan Calheiros estavam com Lula — não apenas por serem alagoanos, local de inauguração da obra, mas porque representam parte da sustentação governista dentro do Congresso. É por isso que Lula bancou a permanência de Sarney na presidência do Senado. E é por isso que, “nunca antes na história desse país” se viu tamanho controle do Legislativo pelo Executivo.